Observatório ESMPU
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Combate ao Crime Organizado

Tráfico de drogas. Crime Organizado. Enfrentamento. Breve abordagem.

Blal Yassine Dalloul, Procurador Regional da República/1ª Região

A recente e trágica execução em São Gonçalo/RJ, arrebatando a vida de Juíza de Direito que protagonizava na judicatura assinando decisões corajosas que acendiam chama de esperança na sociedade mas que, naturalmente, iam de encontro às pretensões cruelmente requintadas de organizações criminosas, em suas diversas faces, fez transcender aos demais acontecimento debates que naturalmente surgem nos momentos de choque e perplexidade. No entanto, talvez por aflorarem de sentimentos extremos, essas reações mais provocam manchetes do que produzem resultados.

Mundo que gira, na semana seguinte ao assombroso evento, predominava discussão sobre justiças e injustiças levadas ao ar no capítulo final de “Insensato Coração”. O tema é outro, feliz ou infelizmente, e o tributo não é ficção: como impedir que o papel do Estado, no combate sem tréguas ao crime organizado, seja assumido pelo voluntarismo - que se fragiliza na precariedade, por mais corajoso que pareça - de uma ou de algumas pessoas idealistas e aflitas por um mundo mais justo? Um mundo mais justo passa necessariamente pelo êxito, ainda não visto, no combate aos tráfico de drogas, crime mãe das mais atrozes perversidades.

Raramente falar-se-á em tráfico de drogas sem citar seu entrelaçamento profundo com o que há de pior nas organizações criminosas. A sofisticação varia de fronteira à fronteira, mas não há “mula” que trafegue sem um “barão” do narcotráfico no seu GPS. A associação para o tráfico possui códigos de ética e de entrega quase invencíveis, sementes da perenidade que multiplicam trágicos resultados para a sociedade. A cifra movimentada é impressionante, os lucros aos desprovidos de princípios são tentadores, é insana a realidade.

Propõe-se aqui um breve, porém grave, olhar sobre de que maneira a Magistratura (Ministério Público e Poder Judiciário) prepara e protege seus agentes estrategicamente colocados, ainda que algumas vezes sequer eles saibam disso, para “desorganizar” poder paralelo que funciona conforme leis próprias. A prática demonstra que onde se identifica o império desse mal, seja pelas suas rotas, seja pelo domínio da região, estão instaladas as mais tímidas estruturas oficiais e muito frequentemente são os locais onde iniciam intrépidas atividades, com riscos muitas vezes inimagináveis, membros recém-empossados que protagonizarão casos mais cruciais na infinita guerra pelo território do bem.

Na prática, enfraquecer o berço do tráfico de drogas exige efetiva integração de todos os órgãos, da investigação à resposta magistrada estatal, mediante intenso preparo na base, dotando de conhecimentos absolutamente indispensáveis para um enfrentamento corajoso e ao mesmo tempo seguro, contemplando estrutura e ações de inteligência diferenciadas. De todos conhecida a força do que se pretende desarticular, qualquer passo sem esses cuidados é tática amadora e inaceitável em um jogo de cruéis. Todo investimento é pouco para que não se tolere que direitos e prerrogativas daqueles que tudo fazem em defesa da sociedade estejam vulneráveis antes mesmo de qualquer confronto com a criminalidade.

Concluindo, é de rigor prevenir e preparar, com disposição generosa de recursos que se mostram monetariamente ínfimos diante dos valores – segurança e vida - que se preservam. Agir com intenso profissionalismo e estratégicas razões, para não chorar, amanhã, insensatos corações, é a prática única para um bom combate. Dela seja feita a vida.

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